Por Nivton Campos
E Jesus estava a caminho de Jerusalém quando passou por um tanque que, segundo a tradição, era movido vez em quando por um anjo que permitia ao primeiro que ali se atirasse ser curado de qualquer doença (Jo 5.1-4).
Um homem paralítico já tentava há 38 anos - mais tempo do que eu tenho de vida, entrar no tanque sem sucesso. Jesus é movido por sua compaixão e cura aquele homem, independente do tanque.
Sua atitude quebra dois paradigmas, sendo o primeiro na própria vida daquele homem. Ao ser questionado por Jesus se queria ser curado, ele responde com a mentalidade de quem entende depender totalmente do método do "banho milagroso" para que isso acontecesse. É notável o desprezo de Jesus pela sua resposta insuficiente à pergunta. Ele não respondeu sim ou não, mas reclamou não conseguir tomar o "banho da cura". Jesus passa por cima do seu misticismo e mente fechada, e o cura imediatamente.
A segunda quebra de paradigma é para com a religião judaica: era pleno sábado, e a lei judaica limitava muito o que se poderia fazer naquele dia. O homem que não andava há 38 anos, segundo aqueles judeus tradicionais, deveria esperar até o outro dia para carregar a sua esteira e ir para casa. Ainda que deixasse a esteira, a distância do tanque até a entrada da cidade já deveria ser superior à permitida para se caminhar no sábado.
Jesus não se limitou ao método ao qual a fé do paralítico estava presa: o curou de forma simples e direta. E não beneficiou a lei em detrimento da liberdade e do amor/compaixão: desprezou o sábado.
Jesus não está preocupado com o que achamos ideal ou correto. Se pensamos funcionar desse jeito ou ser certo daquele. Jesus é simples (como disse aqui outro dia) e está preocupado mais com o exercício da sua obra do que com a forma que pensamos funcionar uma religião. Mais com a sua obra do que com nossos métodos e preconceitos. Graças a Deus!
Fonte: http://www.nivtoncampos.blogspot.com/
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
domingo, 21 de dezembro de 2008
A imagem de Deus
Por John Stott
"Criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou" (Gênesis 1:27)
O clímax da atividade criativa de Deus foi o aparecimento dos seres humanos, e a forma como Gênesis expressa este clímax é descrevendo-os como tendo sido criados "à imagem de Deus". Porém, os estudiosos não conseguem chegar a um consenso em relação ao significado da imagem divina nos seres humanos.
Alguns consideram que ela significa que os seres humanos são representantes de Deus, exercendo domínio sobre o restante da criação em seu lugar. Outros concluem que a imagem de Deus se refere ao relacionamento especial estabelecido entre Deus e os homens. Mas, se observarmos esta expressão tanto no contexto imediato de Gênesis quanto na perspectiva mais abrangente das Escrituras, parece ficar claro que ela se refere a todas aquelas qualidades ou capacidades humanas que nos diferenciam dos animais e nos aproximam de Deus. Quais são essas qualidades?
A primeira delas é que, como seres humanos, somos racionais e temos consciência de bós mesmos. A segunda é que somos sres morais; temos uma consciência que nos conclama a fazer o que percebemos como certo. A terceira é que somos criativos, tal como nosso Criador, capazes de apreciar aquilo que é belo aos ouvidos e aos olhos. A quarta é que somos seres sociais, capazes de estabelecer com outras pessoas relacionamentos verdadeiros de amor, pois Deus é amor e, ao nos fazer à sua imagem, ele nos deu a capacidade de amá-lo e de amar aos outros. Por último, temos uma capacidade espiritual que nos faz sentir fome de Deus. Assim, somos os únicos seres capazes de pensar, escolher, criar, amar e adorar.
Infelizmente, precisamos acrescentar que a imagem de Deus em nós foi desfigurada, do mesmo modo que nossa humanidade foi contaminada pelo egocentrismo. A imagem de Deus, no entento, não foi destruída. Pelo contrário, tanto o AT quanto o NT afirmam que os seres humanos ainda carregam em si a imagem de Deus e por essa razão devemos respeitá-los. O caráter sagrado da vida humana se origina do valor que decorre da imagem de Deus (9:6). Os seres humanos são seres parecidos com Deus. Eles merecem ser amados e servidos.
Para saber mais leia: Tiago 3:7-12
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
A veracidade da narrativa do Gênesis
Por John Stott
"Depois disse Deus: "Haja (..)". E disse Deus (..). E Deus viu que ficou bom". (Gênesis 1:6, 9-10)
Muitos alegam que há paralelos surpreendentes entre os mitos da criação do antigo Oriente Próximo (especialmente o épico babilônico conhecido como "Enuma Elish") e o relação aos babilônios e às histórias bíblicas não são suas semelhanças, mas suas diferenças. Longe de copiar a narrativa babilônica, Gênesis 1 critica e faz objeção a sua teologia básica. Na mitologia babilônica os seus deuses, amorais e caprichosos, disputam e brigam uns com os outros. Marduk o mais soberbo dos deuses, ataca e mata Tiamat, a deusa-mãe. Em seguida, ele divide o corpo dela em duas metades, sendo que uma delas se transforma no céu e a outra, na terra. A julgar por este cruel politeísmo, é um alívio retornar à ética monoteísmo de Gênesis 1, segundo a qual toda a criação é atribuída ao comando do únicco e verdadeiro Deus.
De acordo com o livro do Apocalipse, a adoração eterna no céu concentra-se no Criador: " Tu, Senhor e Deus nosso, és digno de receber a glória, a honra e o poder, porque criaste todas as coisas, e por tua vontade elas existem e foram criadas" (Apocalise 4:11)
Os cientistas continuarão a investigar a origem, a natureza e o desenvolvimento do universo. Porém, teologicamente falando, para nós basta saber que Deus criou todas as coisas por sua própria vontade, como expressão de sua simples e majestosa Palavra. Por isso é que se repete o refrão de Gênesis 1: "E Deus disse...". Além disso, quando Deus contemplou sua criação, ele "viu que ficou bom". Devemos, portanto, nos alegrar por tudo que Deus criou - tanto pela comida e bebida como pelo casamento e pela família, ou pela arte e pela música, pelos pássaros, pelos animais, pelas borboletas e por muitas outras coisas.
"Pois tudo o que Deus criou é bom, e nada deve ser rejeitado, se for recebido com ação de graças". (1 Timóteo 4:4)
terça-feira, 25 de novembro de 2008
Luz na escuridão
Por John Stott
"Disse Deus: "Haja luz", e houve luz". (Gênesis 1:3)
O pequeno território de Israel ficava espremido entre os poderosos impérios da Babilônia, ao norte, e do Egito, ao sul. Ambos praticavam alguma forma de adoração ao sol, à lua e às estrelas. No Egito, o centro da adoração ao sol era a cidade de On, cujo nome grego era Heliópolis, "a cidade do sol", a poucas milhas de distância da cidade do Cairo. Na Babilônia, os astrônomos já haviam desenvolvido elaboradas cálculos dos movimentos dos cinco planetas conhecidos por eles e tinham começado a mapear os céus.
Não é de todo surpreendente, portanto, que muitos líderes israelitas tenham se deixado contaminar por ese tipo de culto praticado pelos povos que viviam ao seu redor. Ezequiel ficou horrorizado ao ver uns vinte e cinco homens "com as costas para o templo do Senhor e os rostos voltados para o oriente (...) se prostrando na direção do sol" (Jr 8:2).
É neste contexto de idolatria que Gênesis 1 deve ser lido e compreendido. Enquanto que os egípcios e os babilônios adoravam o sol, a lua e as estrelas, o autor do Gênesis insiste que esses elementos não são deuses para serem adorados, mas a criação do único e verdadeiro Deus.
Deus prometeu a Abraão que seus descendentes seriam "tão numerosos como as estrelas do céu e como a areia das praias do mar" (Gn 22:17). É extraordinário que, sabendo hoje que há cerca de um trilhão de estrelas em nossa galáxia e outros bilhões de galáxias a bilhões de anos-luz de distância daqui, a equivalência entre areia e estrelas possa ser bastante acurada.
O apóstolo Paulo usou o majestoso decreto de Deus ordenando: "Que se faça luz" como um modelo do que acontece na nova criação. Ele comparou o coração humano não regenerado ao escuro caos primitivo e o novo nascimento à ordem criativa de Deus "Que se faça a luz". Esta certamente havia sido a experiência dele. "Pois Deus, que disse: "Das trevas resplandeça a luz", ele mesmo brilhou em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo" (2Co 4:6).
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
Do caos ao cosmos
Por John Stott
"Era a terra sem forma e vazia; trevas cobriam a face do abismo, e o Espírito de Deus se movia sobre a face das água". (Gênesis 1:2)
Embora Isías afirme que Deus "não criou (a terra) para estar vazia, mas a formou para ser habitada" (Is 45:18), no príncipio a terra era vazia, sem forma, escura e inabitada. Então, gradativamente, em Gênesis 1, percebemos que Deus vai transformando a desordem em ordem, o caos em cosmos. O autor do livro de Gênesis evidentemente entendia a criação como um processo, embora sua duração não tenha sido especificada.
Este processo é claramente exposto no verso 2. Alguns tradutores interpretam esse trecho como uma referência a um fenômeno impessoal, tal como uma tempestade no mar. A Nova Bíblia de Jerusalém, por exemplo, coloca que houve "um sopro divino sobre as águas". Entretanto, concordo com a opinião daqueles que defendem a posição de que o texto não está se referindo ao vento, mas ao próprio Espírito Santo, cuja ação criativa é comparável à de um pássaro pairando sobre seus filhotes.
Além disso, à Palavra de Deus: "E Deus disse". "Pois ele falou, e tudo se fez" (Sl 33:9). Não me parece fantasioso identificar aqui uma referência a Deus, o Pai, à sua Palavra e ao Espírito. Em outras palavras, à Trindade.
Nestes dias em que frequentemente se enfatiza uma ou outra pessoa da Trindade, é bom poder retornar às três pessoas. De fato, é importante notar que desde os primeiros versos, a Bíblia afirma seu testemunho sobre a Trindade. Assim, iniciamos nossos estudos celebrando o fato de sermos cristãos trinitários.
domingo, 23 de novembro de 2008
A iniciativa do Criador
Por John Stott
"No princípio Deus criou os céus e a terra" (Gênesis 1:1)
As primeiras três palavras da Bíblia ("No princípio Deus") formam uma introdução indispensável para todo o resto. Elas revelam que nunca podemos nos antecipar a Deus ou surpreendê-lo, pois ele está sempre lá, "no princípio". A iniciativa de toda ação é sempre de Deus.
Isto é particularmente verdadeiro sobre a criação. Os cristão crêem que, quando Deus deu início à sua obra criativa, nada existia além dele mesmo. Só ele estava lá, no início de tudo. Só ele é eterno. A centralidade de Deus em Gênesis 1 é proeminente em toda a narrativa. Deus é o sujeito de quase todos os verbos. "Deus disse" aparece dez vezes no texto e "Deus viu que era (muito) bom", sete vezes.
Nós não temos que optar entre Gênesis 1 e a cosmologia ou astrofísica contemporânea. Deus nunca teve a intenção de que a Bíblia fosse um texto científico. Na verdade, deveria ser evidente para os leitores que o texto de Gênesis 1 é um poema altamente estilizado e belo. Ambas as abordagens da criação ( a científica e a poética) são verdadeiras, porém partem de perspectivas diferentes e se completam.
Quando o Credo dos Apóstolos afirma nossa crença em "Deus Pai Todo-Poderoso", está se referindo não apenas à sua onipotência, mas também ao seu poder de controle sobre toda a criação. O que ele criou, ele também sustenta. Sua presença é imanente neste mundo; ele está continuamente sustentando, revigorando e colocando em ordem todas as coisas. O fôlego de todos os seres viventes está em suas mãos. É ele quem faz o sol brilhar e a chuva cair. Ele alimenta os pássaros e protege as flores. Isto pode ser poético, mas também verdadeiro.
Daí a sabedoria das igrejas que mantêm um culto anual para ação de graças e dos cristãos que dão graças antes das refeições. Estas atitudes não apenas são corretas como nos ajudam a relembrar que nossas vidas e todas as coisas dependem de nosso fiel Criador e Mantenedor.
sábado, 22 de novembro de 2008
A Criação
Por John Stott
Lutero escreveu: " Nada é mais bonito que o Gênesis, e nada é mais útil! Concordo com esta afirmação, porque de fato este livro é de grande beleza e de grande utilidade prática. Nele, especialmente nos primeiros capítulos, são estabelecidas as grandes doutrinas da Bíblia - a soberania de Deus como Criador, o poder de sua palavra, a dignidade original do ser humano, homem e mulher, ambos feitos à sua imagem e com a incumbência de administrar a terra, a igualdade e a complementaridade dos sexos, a excelência da criação, a dignidade do trabalho e o descanso periódico. Estas verdades centrais são colocadas no ínicio do Gênesis como a pedra fundamental sobre a qual se ergue a superestrutura bíblica.
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