terça-feira, 25 de novembro de 2008

Luz na escuridão

Por John Stott

"Disse Deus: "Haja luz", e houve luz". (Gênesis 1:3)
O pequeno território de Israel ficava espremido entre os poderosos impérios da Babilônia, ao norte, e do Egito, ao sul. Ambos praticavam alguma forma de adoração ao sol, à lua e às estrelas. No Egito, o centro da adoração ao sol era a cidade de On, cujo nome grego era Heliópolis, "a cidade do sol", a poucas milhas de distância da cidade do Cairo. Na Babilônia, os astrônomos já haviam desenvolvido elaboradas cálculos dos movimentos dos cinco planetas conhecidos por eles e tinham começado a mapear os céus.
Não é de todo surpreendente, portanto, que muitos líderes israelitas tenham se deixado contaminar por ese tipo de culto praticado pelos povos que viviam ao seu redor. Ezequiel ficou horrorizado ao ver uns vinte e cinco homens "com as costas para o templo do Senhor e os rostos voltados para o oriente (...) se prostrando na direção do sol" (Jr 8:2).
É neste contexto de idolatria que Gênesis 1 deve ser lido e compreendido. Enquanto que os egípcios e os babilônios adoravam o sol, a lua e as estrelas, o autor do Gênesis insiste que esses elementos não são deuses para serem adorados, mas a criação do único e verdadeiro Deus.
Deus prometeu a Abraão que seus descendentes seriam "tão numerosos como as estrelas do céu e como a areia das praias do mar" (Gn 22:17). É extraordinário que, sabendo hoje que há cerca de um trilhão de estrelas em nossa galáxia e outros bilhões de galáxias a bilhões de anos-luz de distância daqui, a equivalência entre areia e estrelas possa ser bastante acurada.
O apóstolo Paulo usou o majestoso decreto de Deus ordenando: "Que se faça luz" como um modelo do que acontece na nova criação. Ele comparou o coração humano não regenerado ao escuro caos primitivo e o novo nascimento à ordem criativa de Deus "Que se faça a luz". Esta certamente havia sido a experiência dele. "Pois Deus, que disse: "Das trevas resplandeça a luz", ele mesmo brilhou em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo" (2Co 4:6).

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